segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Os animais não ficam de fora!!!

Controlar o uso de antibióticos,  em pessoas não é suficiente para conter superbactérias. Ela defende a redução do uso dessas drogas também em animais.
 O problema é misturar antibióticos à ração para estimular o crescimento de porcos, bois e frangos. A prática, proibida na Europa desde a década de 90, ainda é permitida no Brasil. No ano passado, o senador Tião Viana (PT/AC) apresentou projeto de lei para aboli-la, mas o texto está parado na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado.
Até o uso restrito ao tratamento de doenças traz riscos. Como os animais ficam confinados juntos, a ocorrência de uma doença em alguns resulta na distribuição de antibióticos para todos, o que favorece a disseminação das superbactérias. “Algumas bactérias têm genes que as protegem dos antibióticos. Quando usamos esses medicamentos, elas são as únicas que sobrevivem”.
Com o ambiente livre dos outros micróbios, elas passam a se multiplicar de forma rápida, o que eleva o risco de que, um dia, entrem em contato com pessoas com baixas defesas. O resultado são infecções que podem até matar.
A situação fica mais grave porque as bactérias trocam informações genéticas: um organismo inofensivo ao homem que se prolifere pela capacidade de resistir a antibióticos, contribui para que outro, patogênico, também ganhe essa característica. “O antibiótico não age só sobre os causadores de doenças, mas sobre todas as bactérias”.
        

Farmácias começam a reter receitas de antibióticos

A compra de antibióticos só poderá ser feita em farmácias e drogarias do Brasil mediante a apresentação da receita de controle especial em duas vias.
A primeira via ficará retida na farmácia e a segunda deverá ser devolvida ao paciente carimbada para comprovar o atendimento.
Quem prescrever as receitas precisa ficar atento para a necessidade de entregar de forma legível e sem rasuras duas vias do receituário aos pacientes.
Além disso, todas as prescrições deverão ser escrituradas, ou seja, ter suas movimentações registradas no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados.
De acordo com a resolução, as receitas terão validade de 10 dias, a contar da data de emissão.

Bulas e embalagens

As mudanças também serão aplicadas nas embalagens e bulas. A partir de agora, elas precisam incluir a frase: “Venda sob prescrição médica – só pode ser vendido com retenção da receita”.
As medidas valem para mais de 90 substâncias antimicrobianas, que abrangem todos os antibióticos com registro no País, com exceção dos que têm uso exclusivo no ambiente hospitalar.

Punição

As empresas terão 180 dias para se adequar às novas normas de rotulagem. O descumprimento das determinações constitui infração sanitária.

E por que mudou?

O objetivo da medida é controlar a venda desses medicamentos e, com isso, evitar a propagação da superbactéria KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase), que é resistente a antibióticos.

Álcool em gel será obrigatório em hospitais e clínicas

Para evitar novos casos da superbactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) e de outros micro-organismos resistentes a antibióticos, hospitais e clínicas, públicos e privados, serão obrigados a colocar dispensadores de álcool em gel em todos os quartos, ambulatórios e prontos-socorros.
A norma foi aprovada na sexta-feira, 22 de Outubro, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os hospitais e clínicas terão prazo de até 60 dias para se adaptar.
De acordo com o diretor da Anvisa, Dirceu Barbano, a proposta é estimular a higienização de profissionais de saúde, uma das medidas mais eficazes para impedir a disseminação das superbactérias e conter as infecções hospitalares.
O Distrito Federal já tem 183 casos confirmados de KPC e 18 mortes até o momento. Há registros de casos também no Espírito Santo, Paraná, em São Paulo, Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais e na Paraíba.
“O (álcool em gel) facilita o hábito de higienização porque é mais fácil de acessar. Mas as pessoas podem continuar a lavar as mãos com água e sabão”.

A superbactéria e o medo de contágio

O alerta sobre o aparecimento de uma superbactéria resistente a quase todos os antibióticos e capaz de se espalhar pelos países do globo, suscitou o medo do surgimento de uma nova pandemia – poucos dias após o anúncio da OMS sobre o fim da pandemia de gripe A (H1N1).
O conceito de ‘super’ bactéria não quer dizer que é uma bactéria capaz de destruir tudo e deixar todos doentes. Na verdade é uma bactéria resistente a antibióticos e as infecções causadas por bactérias como essas, onde geralmente restam pouquíssimas opções terapêuticas.
A resistência de bactérias não é nenhuma novidade, a questão é a falta de perspectiva quanto à produção de medicamentos mais eficazes que está levando os laboratórios a reabilitar velhos antibióticos, como polimixina, e usando-os com novos para melhorar sua performance.

A necessidade por novas opções terapêuticas para o tratamento de infecções por bactérias multirresistentes é reconhecida pela comunidade científica. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) obriga farmácias a reterem receitas de antibióticos, cujo uso indiscriminado é apontado como um fator para o fortalecimento das chamadas "superbactérias".
É grande o potencial da bactéria de se tornar um problema de saúde pública mundial, e é necessária vigilância coordenada internacional para controlar a disseminação dos antibióticos e principalmente a higiene nos hospitais.
A grande preocupação é quanto ao alto investimento (cerca de 800 milhões de Euros) necessário para a produção de novas drogas, a descoberta em laboratório da molécula a ser usada contra as superbactérias até a comercialização do remédio produzido.